Meu nome é Juliano, e a minha história é a seguinte...
Quando eu tinha 21 anos de idade, estava eu e um amigo meu sentados em uma mesa de bar, bebendo e conversando sobre a vida, algo normal para depois de um dia cheio de trabalho cansativo e estressante.
E no meio de vários assuntos como futebol, carros e até mesmo sobre trabalho, veio o assunto mulheres. Nesse assunto tínhamos vantagens sobre o outro em dois quesitos. Eu em namoro, pois eu namorava há anos, um relacionamento ótimo. E ele era mais solto, ficava com muitas mulheres, só que naquele momento ele estava namorando.
E a conversa começou com uma pergunta minha, eu disse:
“Já que estamos falando sobre mulheres, como esta o namoro?”
“Cara...” – ele pensou um pouco antes de terminar a resposta e continuou com as seguintes palavras- “Eu não nasci pra isso”
“Mas como assim?”
“Eu não sou como você, alias eu não sei como consegue ficar muito tempo com uma pessoa” – Ele olhou para meu rosto procurando alguma reação e continuou – “Eu olho mulheres na rua, e... entendeu?”
Eu meio desconfortável com a conversa e pensativo, pedi a conta, pagamos e foi cada um para sua casa. No caminho de casa eu liguei para minha namorada, ela já estava dormindo...
Dias depois, no fim do meu expediente. Encontrei novamente com meu amigo e lhe chamei para tomar algumas bebidas e conversar um pouco. Ele aceitou, e pediu para eu estar no bar de sempre ás 20h00min que ele me encontraria lá.
E depois de sair do trabalho, passei em casa rapidamente, só tomei um banho, me arrumei e as 20h00min eu estava no bar já. Cheguei, me sentei, pedi uma cerveja e esperei meu amigo. Cerca de 20h13min chega meu amigo, com duas mulheres relativamente atraentes, e uma com um olhar penetrante. Eles chegaram se sentaram uma mulher ao lado dele e a outra ao meu. Naquele momento eu estranhei a situação, mas infelizmente não fiz nada.
Varias garrafas de cervejas iam se acabando, e eu cada vez mais fora de mim...
Resultado: depois do bar, fomos para um lugar que eu não me lembro direito, só lembro que fui pra cama com uma das mulheres que estavam no bar comigo. Eu fui desleal com a minha namorada.
No outro dia, eu estava péssimo por causa da bebida, parecia que eu tinha sido atropelado. Acordei tarde, longe de casa, atrasado para o trabalho e no meu celular varias chamadas perdidas da minha namorada.
E ela me ligou o dia todo, mandou mensagem e eu não atendi os telefonemas, nem respondia as mensagem, pois eu não sabia o que falar com ela, estava com medo e com raiva de mim mesmo.
Até que na 13ª ligação dela eu atendi. E ela já veio falando afobada:
“Alô, meu amor, você não me ligou ontem à noite e nem hoje durante o dia. Onde você estava? Aconteceu alguma coisa?”
Eu fiquei mudo no celular, sem saber como dizia pra ela que eu tinha ido pra cama com outra. E quando se passou 30 segundos que eu estava mudo ela disse:
“Está ai Juliano?”
“Eu estava com outra!”
Ela com voz de assustada perguntou:
“O quê?!”
“Sim, ontem à noite, eu estava com outra... Desculpe-me.”
Ela começou a chorar e perguntou:
“Como que isso foi acontecer?”
“Eu tinha marcado com meu amigo de beber umas cervejas e ele apareceu lá com duas mulheres e eu fui bebendo...” – e antes de eu terminar de tentar me explicar, ela desligou o telefone.
Depois daquilo, eu chorei, pensei, me arrependi, liguei pra ela, mais já era tarde. Ela não me atendia. Eu ficava pensando o que ela estava fazendo, talvez chorando ou com outro para me esquecer, só que não tinha jeito nenhum para eu saber. Quando desistir de ligar, fui até a casa dela e lá ninguém me atendeu. É eu errei feio.
“Oi” – Foi só o que ela disse de inicio.
“Oi, eu sei que o que eu fiz foi errado, me...” – E antes de eu pedir desculpas, ela desligou.
Hoje eu tenho 63 anos, sou um mendigo, perdi meu emprego por causa de atrasos, me embriaguei constantemente, minha vida virou de cabeça para baixo. Não tenho nada e moro na rua, estou doente, quase morrendo e quem me trás remédio é minha ex-namorada de 42 anos atrás que eu perdi por imaturidade!
Carta escrita por Juliano Olavo de Oliveira. A carta foi achada após sua morte no local onde ele dormia freqüentemente enfrente a um bar.
Texto de: Gustavo Rainha Oliveira (Kabu)

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